Fragmentos
sobre a Morte

“O que aconteceu com Charlie Raskus?

Está morto. Morreu. Causas naturais. Não era assim tão velho. Até os filhos da puta morrem. Essa é a única coisa boa que se pode dizer da morte - ela pega os filhos da puta também.” p. 164

“Patrimônio - Uma história real” de Philip Roth. Tradução de Jorio Dauster. Companhia das Letras. 

Sobre a morte

Belo Horizonte, 18 de agosto de 1945

Fico besta como morrem os personagens de Shakespeare, nem os passarinhos morrem com mais naturalidade, com mais simplicidade. Exeunt, esta palavra tem algo de misterioso e poético. Vede, o personagem faz um teatrozinho, é ferido (ninguém morre de cama, é tragédia!) e… morre. Morre assim nesta única palavra, dies. 

O, I am slain! If thou be merciful

open the tomb, lay me with Juliet

                             (Dies)

É ou não é formidável? Morrem numa palavra. p. 24

O Rio é tão longe - Cartas de Otto Lara Resende a Fernando Sabino. Introdução e notas Humberto Werneck. Companhia das Letras, 2011.